Inovação e educação aberta, flexível e a distância nas áreas tecnológicas

Introdução

Muito se tem discutido e especulado pelos profissionais e educadores das mais variadas áreas a respeito do que efetivamente seja, ou seria, e quais seriam os efetivos benefícios e as inconveniências da chamada Educação a Distância, comumente referenciada como EAD.

Mais recentemente, devido à inovação promovida na área e ao intenso uso das tecnologias digitais de informação e de comunicação, a percepção da comunidade internacional de Educação a Distância (EAD) tem evoluído para uma nova expressão que é a Educação Aberta, Flexível e a Distância. Tal percepção advém principalmente de como têm sido desenvolvidas as ocorrências da atual EAD.

Mas, efetivamente, o que é, e como tem sido aplicada, a EAD nas áreas tecnológicas?

Este artigo busca apresentar, de forma simplificada, qual seja a realidade da moderna EAD, apresentando o que ela “não é”, o que “tem sido”, o que “é”, qual a sua atualidade e quais as principais perspectivas que se apresentam para as áreas tecnológicas. Como áreas tecnológicas aqui se compreendam aquelas reguladas pelo Sistema CONFEA-CREA, ou seja, todas aquelas cujo exercício profissional é regulado pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia e seus Conselhos Regionais.

1 - A atual educação a distância

Para podermos ter uma real percepção do que seja a EAD, importante caracteriza-la pelo que ela não seja, pelo que tem sido e pelo que efetivamente seja.

a. “O que a EAD não é”.

A Educação a Distância não é uma plataforma ou um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)!

Desinformadamente, muita gente pensa que oferecer Educação a Distância (EAD) é ter uma plataforma, ou um AVA. O AVA nada mais é do que um ambiente computacional preparado para integradamente oferecer um conjunto de ferramentas que permita a professores e alunos realizarem a maioria das ações pedagógicas desenvolvidas no ensino. Com o apoio computacional desses ambientes é possível se realizar atividades educacionais tanto síncronas quanto assíncronas.

Por atividades síncronas consideramos aquelas em que todos os atores acadêmicos (alunos, professores e até mesmo convidados) estejam conectados ao mesmo tempo e participando de uma mesma atividade acadêmica. Essas atividades correspondem àquelas que no ensino presencial são realizadas em tempo real na sala de aula, na biblioteca, ou mesmo na casa de algum dos alunos, e se destinam a realizar apresentações, discussões e trabalhos em grupo em tempo real. Assim, muitas das atividades acadêmicas podem ser realizadas na EAD pelo uso dessas ferramentas.

Por atividades assíncronas consideramos aquelas que são realizadas de forma cooperativa, mas com cada participante atuando a seu tempo e de um certo lugar. Tais atividades correspondem ao trabalho cooperativo, mas com cada um fazendo a sua parte e comunicando/transmitindo aos colegas a sua parte na forma escrita, falada ou mesmo por gravações de vídeos. Dessa forma, muitas das atividades acadêmicas podem ser realizadas na EAD pelo uso destas ferramentas assíncronas.

Percebe-se, assim, que muito da flexibilidade da moderna EAD se tornou possível pelo uso dessas ferramentas. Entretanto, embora os ambientes de aprendizagem provejam tantas possibilidades para a realização de tantas atividades educacionais, eles continuam sendo “apenas” ferramentas disponíveis para que se desenvolva a educação.

Tais ambientes de aprendizagem podem ser usados de múltiplas formas, utilizando métodos pedagógicos distintos que ordenam e encadeiam diferentes formas de uso das ferramentas disponíveis em tempos organizados de diferentes formas.

Embora sejam essenciais na moderna EAD, o ambiente de aprendizagem continua sendo apenas um conjunto de ferramentas disponíveis aos educadores para organizarem o seu modelo de educação.

A EAD não é milagrosa!

Embora muita gente, imperceptivelmente, ache que tudo na educação é possível com o uso da EAD e de suas tecnologias associadas, sabe-se que muitas coisas ainda não podem ser realizadas com as ferramentas e métodos hoje disponíveis. Pode-se citar, por exemplo, as situações de percepção sensorial, como percepções táteis ou olfativas, ainda não estejam completamente disponíveis, embora em desenvolvimento adiantado. Também há casos de ações educacionais, como a participação física, que não podem ser realizadas pelos atuais métodos pedagógicos com uso das tecnologias disponíveis.

Apesar disso, mesmo nas áreas dessas atuais impossibilidades, a EAD tem sido usada para prover a orientação teórica e metodológica que lastreiam tais ações. Como exemplo citamos a área médica onde métodos de ensino tem usado sistemas computacionais para formar, e aprimorar, a compreensão dos alunos a respeito dos diferentes sistemas orgânicos. Até mesmo operações remotas têm sido realizado pelo uso da tecnologia, como aquelas cirurgias realizadas remotamente no campo de batalha da primeira Guerra do Golfo, ainda nos anos 90 do século passado.

De qualquer forma, apesar dos avanços tecnológicos, tem-se a consciência de que ainda muita coisa não está econômica, ou tecnologicamente, disponível para a educação.

A EAD não serve apenas para o ensino técnico liberal!

Apesar de o Brasil ter alcançado um certo protagonismo na educação a distância até os anos sessenta do século passado, com a proibição do uso da educação a distância na educação formal desde aquela época até meados dos anos noventa, pouco se teve de EAD no país. De destaque, tivemos o Instituto Monitor e o Instituto Universal Brasileiro que galhardamente desenvolveram o ensino técnico liberal a distância por décadas, formando enorme contingente de profissionais liberais por todo o país. Imagina-se que atualmente não haja quem tenha vivido lá pela metade do século passado e que não tenha visto os anúncios do IUB nas páginas centrais dos “gibis do Tio Patinhas”. Tão intensa participação, e por muitas décadas, na formação de profissionais técnicos liberais deixou uma errônea percepção em partes da sociedade de que a EAD serviria “apenas para isso”, enquanto mundo afora o uso dessa modalidade educacional se desenvolvia em todos os níveis de formação acadêmica e até mesmo em programas de doutoramento.

b. “O que a EAD tem sido”

Em todo o mundo, por séculos, a EAD tem tido significativa participação na formação de muitos.

Embora alguns insistam em dizer que a educação a distância se iniciou com a invenção da imprensa, reconhece-se como uma primeira notícia formal de EAD aquela que apareceu em um anúncio da Gazeta de Boston, edição de 20 de março de 1728, que publicou a oferta de material para o ensino de Hebraico com tutoria por correspondência.

Para dar uma noção da evolução da EAD no mundo e no Brasil, aproveitamos a seguir um levantamento realizado pelo Prof. Fredric M. Litto, Presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED, e que foi apresentado em várias de suas palestras.

Em 1856 identifica-se em Berlim a Sociedade de Línguas Modernas que organiza o ensino de Francês por correspondência. Também em 1856 a University of London cria seu External System para oferta de cursos a distâncias, onde estudaram Gandhi, Mandela e outros 5 ganhadores do Prêmio Nobel. Em 1892 o Departamento de Extensão da Universidade de Chicago é criada a Divisão de Ensino por Correspondência para preparação de docentes. Em 1922 surgem os cursos por correspondência na União Soviética. Em 1935 a Japanese National Public Broadcasting Service inicia seus programas escolares pelo rádio. Em 1947 inicia-se a transmissão das aulas de quase todas as matérias literárias da Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Paris por meio da Rádio Sorbonne. Em 1956 a Chicago TV College inicia a transmissão de programas educativos pela televisão.

Em meados dos anos 60 inicia-se a constituição de universidades dedicadas à oferta de EAD. Em 1969 no Reino Unido é criada a The Open University (OU). Em 1972 na Espanha é fundada a Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED). Em 1985 na Índia é realizada a implantação da Indira Gandhi National Open University. Por fim, em 1990 é implantada a Rede Europeia de Educação a Distância. Destaca-se que todas já atenderam milhões de alunos.

Em termos de Brasil, também se identificam desde o início do século passado algumas importantes e produtivas ações de desenvolvimento de EAD. Em 1904 quando o Jornal do Brasil, em sua primeira edição da seção de classificados, apresenta anúncio que oferece profissionalização por correspondência para datilógrafo. 1923 é criada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro que oferecia curso de Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, Esperanto, Radiotelegrafia e Telefonia. Em 1939 é criado em São Paulo o Instituto Radiotécnico Monitor com cursos profissionalizantes por correspondência. Em 1941 é criado o Instituto Universal Brasileiro. Em 1947 é (re)criada a Universidade do Ar, patrocinada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), o Serviço Social do Comércio (SESC) e emissoras associadas, com cursos comerciais radiofônicos. Em 1959 a Diocese de Natal cria algumas escolas radiofônicas, dando origem ao Movimento de Educação de Base (MEB), promovendo o letramento de jovens e adultos. Em 1967 a Fundação Padre Landell de Moura cria o núcleo de Educação a Distância, com metodologia de ensino por correspondência e rádio. Em 1970 é criado o Projeto Minerva, convênio entre o Ministério da Educação, a Fundação Padre Landell de Moura e a Fundação Padre Anchieta para a educação e a inclusão social de adultos.

O uso da EAD na educação formal nacional se inicia em meados dos anos noventa quando são implantados o Mestrado em Informática – Gerenciamento de Sistemas de Informação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e o Mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em 1996 é criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação, época em que é publicada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) permitindo a EAD em todos os níveis educacionais. Em 2000 é criado o Consórcio Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ). Em 2005 é criada a Universidade Aberta do Brasil (UAB), uma parceria entre o MEC, estados e municípios, integrando cursos, pesquisas e programas de educação superior a distância. Em 2012 é criada a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, primeira, e por enquanto a única, universidade nacional exclusivamente a distância que deve alcançar mais de 40 mil alunos matriculados em 7 cursos (Engenharias da Computação e de Produção, Pedagogia e Licenciaturas em Biologia, Física, Matemática e Química) distribuídos em mais de 240 Polos de Apoio Presencial por todo o estado de São Paulo. A partir de 2016 o MEC iniciou um ciclo de atualização da regulamentação de EAD.

c. “O que é a EAD ”

Na atualidade, a Educação Aberta, Flexível e a Distância tem tido diferentes percepções. Para o desinformado ela pode ser percebida como enganação ou moleza; para o cético ela é vista como se tratando apenas de um modismo; para a sociedade ela é vista como um desafio e uma fantástica oportunidade para a evolução de sua aprendizagem e mesmo para uma evolução social derivada de uma educação mais completa.

Na verdade, o que tem sido chamado de Educação a Distância efetivamente se trata de “Educação Mediada por Tecnologias”. A moderna EAD tem sido usada tanto em cursos regulares quanto em cursos livres, o que agrega o nome de “aberta”, já que carrega o conceito de que todos podem fazer. O qualificativo “flexível” vem do fato de com o uso das modernas tecnologias a aprendizagem pode ocorrer de qualquer lugar e a qualquer momento que seja de interesse/possibilidade do aluno. O termo a distância enfatiza a possibilidade de total alcance geográfico original, o que persiste, e até foi enfatizado, com o uso das modernas tecnologias digitais de informação e comunicação.

A possibilidade de um aluno estudar de onde quiser e nos horários que quiser carrega uma enorme possibilidade de socialização da educação e se apresenta como uma importante ferramenta para uma positiva mobilidade social. Isto porque com estas flexibilidades geográfica e temporal, a educação em todos os níveis pode alcançar pessoas residindo em localidades distante de qualquer oferta de cursos, e mesmo pessoas que, devido a variados fatores profissionais ou pessoais não conseguem ter regularidade de frequência com data, local e horário fixos. Isto permitiu que pessoas com trabalho por turnos, ou aquelas que viajam frequentemente a trabalho, passassem a ter a possibilidade estudar. Mesmo nos grandes centros, a flexibilidade oferecida pelo uso das tecnologias consegue vencer as dificuldades de trânsito caótico e demorado.

Pode-se perceber a grande evolução da EAD no Brasil ao se consultar o Censo da Educação a Distância realizado pela ABED (disponível em http://www.abed.org.br) onde se identifica não só o grande número de matriculados em cursos nesta modalidade pois mesmo no ensino superior regular já temos mais de um milhão de alunos matriculados, como, também, se percebe a significativa evolução de crescimento da modalidade em relação aos cursos presenciais.

A grande vantagem da moderna EAD não se restringe à flexibilidade permitida pelo uso das tecnologias digitais. Outro significativo avanço da modalidade veio do desenvolvimento de novas metodologias de ensino-aprendizagem. Tais metodologias permitiram que o foco do processo de ensino aprendizagem mudasse do professor para o aluno. Com tais metodologias o professor deixa de ser o simples transmissor da informação para o aluno e passa a ser o orientador da aprendizagem, indicando ao aluno como obter e filtrar adequadamente a informação necessária em um mundo onde a informação é farta e está disponível e, principal aspecto, passa a poder dedicar-se à mais nobre das características do professor que é transmitir sua experiência profissional e desenvolver no aluno técnicas de aprendizagem e habilidades que o habilitem para sua própria vida profissional.

Mais do que o uso de novas tecnologias e a disponibilidade de novas metodologias de ensino-aprendizagem, a moderna EAD permite que se integrem estas vantagens para alcançar objetivos educacionais anteriormente apenas desejados. Com essa moderna EAD é possível dar-se atenção a importantes aspectos da aprendizagem como: pessoas aprendem de maneira diferente; pessoas aprendem em ritmos diferentes; pessoas têm conhecimentos prévios diferentes e são motivadas por coisas diferentes em função de sua experiência de vida. Sabe-se que tais fatores influenciam individualmente o interesse, a dedicação e o resultado da aprendizagem, e atualmente podem ser abordados pelas novas metodologias com o apoio das tecnologias disponíveis. Um leve exemplo disso é a questão que há pessoas que aprendem mais ouvindo do que lendo. E hoje se pode oferecer os conteúdos a serem aprendidos em diferentes mídias tais como em vídeo, em áudio e em texto. O aluno é que escolhe em qual mídia quer se dedicar a estudar, e pode estudar quando e de onde preferir.

Entretanto, a implantação da moderna EAD se defronta com alguns aspectos críticos no âmbito metodológico, tecnológico e acadêmico.

O principal aspecto crítico metodológico advém do fato de que os atuais professores estão acostumados trabalhar num modelo expositivo em que, infelizmente, muitas vezes apenas replicam o que está nos livros. Vale salientar que essa abordagem metodológica persiste no ensino praticamente desde Platão. Se prestarmos a atenção, em qualquer nível educacional a educação persiste sendo o professor falando e escrevendo no quadro, ou apresentando um slide, e os alunos assistindo. O mesmo que se faz há séculos! Não se leva em conta que os atuais alunos têm quase que infinito acesso a conteúdo e livros por meio do uso da internet e de dispositivos eletrônicos com os quais têm total intimidade e integração desde criança apara muitos.

Incentivar os atuais professores a atuarem utilizando-se de novas metodologias em que se requer uma transmutação de apenas transmissor de informação para se tornar o orientador de estudo quase que individualizado é o grande desafio. Poucos professores se dispõem a sair de sua zona de conforto em que repetem aquilo que prepararam há tempos, e como ensinam há anos. Os professores que se dispõem a isso são aqueles que atualmente têm obtido tremendo sucesso na aprendizagem de seus e que colocam em prática o proposto por pelo pedagogo Iohannes Amos Comenius (1592 – 1670), considerado o fundador da moderna didática, que declarou “É necessário desenvolver um método de ensino em que os professores lecionem menos, para que os alunos possam aprender mais”. Essa afirmativa fica cada vez mais presente nos dias de hoje.

A adoção de novas tecnologias na moderna EAD tem provocado significativas mudanças na educação, impactando os professores tradicionais tanto quanto o surgimento das novas metodologias. Essas tecnologias provocaram intensas mudanças no “Acesso à Informação”, na “Interatividade” nos espaços educacionais, e fora deles, e também nos próprios “Métodos de Ensino”.

Quanto ao acesso à informação, como já mencionado, os atuais alunos dispõem de recursos impactantes, advindos da atual era da informação. A conjunção da Internet com os dispositivos móveis de comunicação permite que os alunos tenham acesso instantâneo a uma miríade de informações e conteúdos, muitas vezes disponíveis gratuitamente e outras vezes a partir de licenciamento feito pelas próprias escolas, localizados em Bibliotecas Digitais, artigos científicos, Blogs, Vlogs, bibliotecas públicas de textos, vídeos e áudios de todas as partes do mundo. Com isto, a informação está disponível ao aluno, o que o professor precisa ensiná-lo é buscar adequadamente e filtrar a qualidade de tudo o que está disponível.

Em termos de interatividade existem muitas formas disponíveis para se promover a interação entre os atores do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, entre alunos e entre alunos e professor. Ferramentas computacionais gratuitas, por exemplo Skype® ou Hangout®, permitem que estes atores tenham condições de, instantaneamente e de qualquer lugar, interagirem com outros personagens em qualquer lugar do mundo, o que pode aprimorar a percepção do aluno à realidade de sua aprendizagem e à importância profissional do que está aprendendo.

Até mesmo no processo de avaliação da aprendizagem o surgimento das novas tecnologias tem promovido um significativo impacto. Várias opções já existem para a realização de provas por sistemas computacionais que promovem diferentes formas de identificação do aluno antes de disponibilizar uma prova individualizada.

O surgimento das novas tecnologias computacionais e de processamento gráfico/visual tem impactado enormemente até mesmo a questão da percepção e da atuação de práticas laboratoriais dos alunos. O desenvolvimento de laboratórios virtuais, praticamente em todas as áreas de ensino, permite a realização de experimentos quase que como se o aluno estivesse fisicamente atuando dentro de um laboratório físico e manipulando os componentes desse laboratório. Muitos desses laboratórios já permitem até experimentar as simulações da realidade física com imersão visual e sensorial. Também há os chamados web-labs que são os laboratórios físicos que podem, pela internet, ser remotamente operados pelos alunos e visualizados em tempo real, como se o aluno lá estivesse. Destacados exemplos dessas situações são os laboratórios remotos (weblab) do Projeto VISIR, projeto liderado por universidades da Comunidade Europeia com a participação de algumas universidades brasileiras, e a Caverna Digital desenvolvida por pesquisadores do Núcleo de Realidade Virtual do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI), vinculado à Escola Politécnica da USP. Nessa Caverna Digital já foram desenvolvidas aplicações para as áreas de “Engenharia (Naval, Oceânica, Mecânica, Civil, Automobilística e Eletrônica), a Medicina (simulações cirúrgicas, estudos em anatomia), as ciências básicas (Astronomia, Astrofísica, Biologia e Química), a Arte (Artemídia), a Pedagogia (jogos interativos educativos), a Arquitetura (maquetes virtuais) e o entretenimento (roteiros imersivos e interativos e estudos em imagens de alta resolução) ”. Do ponto de vista de recursos laboratoriais virtuais comerciais pode-se destacar os laboratórios virtuais de Física, Química e Biologia, atualmente comercializados no Brasil pelo grupo Pearson.

Note-se que, com disponibilidade de tais tipos de laboratório, as práticas laboratoriais acadêmicas têm sido impactadas em todo o mundo, até requerendo certa reconsideração pedagógica a respeito dessa tão importante parte do processo de ensino-aprendizagem.

Reconhece-se que a evolução das tecnologias digitais disponíveis e dos novos modelos metodológicos têm avanço contínuo, motivando-nos a esperar que novos desafios surjam continuamente na educação como um todo e em especial na educação superior.

Com a perspectiva de identificar as tendências dessa evolução, o New Media Consortium edita anualmente seu relatório denominado Horizon Report, - Higher Education Edition em que faz uma análise dos principais aspectos e desafios na educação mundial. Esse relatório é organizado com a participação de especialistas nas áreas de educação e tecnologias e apresentam tendências, desafios e desenvolvimentos a curto, médio e longo prazos.

Na edição de 2017 o Horizon Report, - Higher Education Edition identificou que no período de um a dois anos as principais tendências são os Projetos de Aprendizagem Mista e a Aprendizagem Colaborativa. No período de três a cinco anos a tendência é de foco crescente na Avaliação de Aprendizagem e no Redesenho dos Ambientes de Aprendizagem. Para o longo termo, acima de cinco anos a perspectiva é para a Evolução das Culturas de Inovação e para a adoção de Abordagens de Aprendizagem mais profundas.

No mesmo relatório também são identificados os principais desenvolvimentos a serem adotados na educação superior em curto, médio e longo prazos. No período de um ano ou menos espera-se a adoção mais intensa das Tecnologias de Aprendizagem Adaptativa, e Aprendizagem Móvel. Para o período de dois a três anos espera-se a adoção das tecnologias de Internet das Coisas (IoT) e de uma nova geração de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Para o horizonte de quatro ou cinco anos espera-se a adoção na educação superior de tecnologias referentes a Inteligência Artificial e Interfaces com Usuários naturais.

Percebe-se, assim, que embora os processos e metodologias de ensino-aprendizagem tenham se mantido quase invariáveis por séculos, a atual tendência é de uma rápida evolução para novos patamares de uso de tecnologias na educação e também de novas tecnologias desenvolvidas a partir das condições por elas providas. 


Prof. Dr. Waldomiro Pelágio Diniz de Carvalho Loyolla é Professor Titular - UNIVESP

 

Prof. Dr. Waldomiro Pelágio Diniz de Carvalho Loyolla é Professor Titular - UNIVESP

Leave a comment

Make sure you enter all the required information, indicated by an asterisk (*). HTML code is not allowed.